O impactos das redes sociais sobre as crianças: como identificar sinais de alerta
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As crianças nunca passaram tanto tempo usando dispositivos eletrônicos como agora, e grande parte desse tempo é dedicado a redes sociais como Instagram, Facebook, TikTok e Snapchat. Embora as redes sociais tenham muitos benefícios - são divertidas, informativas e oferecem oportunidades de conexão - os pesquisadores descobriram que o tempo que as crianças passam online tem um impacto direto sobre sua saúde mental e bem-estar geral.
Sendo a infância um momento delicado do desenvolvimento do ser humano, o uso das redes sociais pode representar um risco substancial à saúde mental das crianças. O uso das redes sociais geralmente leva à comparação e à busca por validação por meio de curtidas e comentários, além do cyberbullying e da criação de expectativas irreais, que podem prejudicar a saúde mental.
De acordo com pesquisas, passar mais de quatro horas por dia online aumenta significativamente o risco de uma criança se tornar hiperativa e desatenta, e leva a problemas de autoestima. As notificações constantes, o rolar interminável da tela e o conteúdo que tem como objetivo produzir dopamina tornam mais difícil para as crianças se concentrarem, pensarem criticamente e desenvolverem relacionamentos presenciais.
De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), houve um aumento expressivo no uso inadequado das redes sociais entre adolescentes na Europa, na Ásia Central e no Canadá. O uso inadequado das redes sociais caracteriza-se por sintomas semelhantes aos do vício, incluindo incapacidade de controlar o uso das redes sociais, sofrimento por abstinência quando não as usa, negligenciar outras atividades em favor das redes sociais, bem como enfrentar consequências negativas na vida diária devido ao uso excessivo. (Adolescentes, telas e saúde mental - Organização Mundial de Saúde)
7 sinais de alerta
Veja a seguir alguns dos sinais de alerta mais comuns aos quais os pais devem estar atentos,pois podem indicar que seu filho tem uma relação pouco saudável com as redes sociais.
1. Uso excessivo das redes sociais
O consumo excessivo das redes sociais pode condicionar o cérebro de uma criança a esperar gratificação instantânea, diminuindo a tolerância a atrasos ou à participação em atividades que têm um ritmo naturalmente mais lento, como a leitura ou o estudo. As plataformas de mídia social foram projetadas para que os usuários desejem constantemente voltar a acessá-las, e isso se dá por meio de funcionalidades como notificações, rolagem infinita, vídeos curtos, curtidas e feeds selecionados. A gratificação instantânea proporcionada pelas redes sociais desencadeia a liberação de dopamina, reforçando este comportamento viciante. Com o tempo, esta dependência pode levar a um déficit de atenção, bem como à incapacidade de controlar impulsos e à dificuldade de administrar as emoções da vida real.
Fato interessante
As crianças que usam mídias sociais por três ou mais horas diárias muitas vezes evitam o contato visual e têm dificuldade em expressar emoções com clareza, de acordo com as pesquisas.
2. Medo de ficar de fora
O seu filho tem FOMO? O FOMO (Fear of missing out - Medo de Ficar de Fora) tem origem na perceção de que os outros estão desfrutando de experiências, eventos ou interações sem eles. Por exemplo, uma criança pode se sentir deixada de lado quando vê que os colegas estão se divertindo sem ela. O FOMO intensifica a ansiedade e a insegurança e alimenta a verificação compulsiva das redes sociais pois as crianças tentam ficar por dentro de tudo o tempo todo.
3. Perfeccionismo
Será que o seu filho fica ansioso para tirar a selfie perfeita, se compara constantemente com os outros, ou insiste em publicar apenas fotos que mostram as melhores coisas da sua vida? A exposição constante a imagens irreais, não espontâneas e com uso de filtro pode fazer com que crianças mais sensíveis se sintam inadequadas e aumente nelas o sentimento de não serem boas o suficiente. Isso pode criar uma percepção distorcida da realidade e levar a uma série de emoções e problemas, como inveja, ressentimento, baixa autoestima e problemas com a própria imagem corporal, à medida que se comparam a imagens idealizadas.
Fato interessante
Segundo estudos, o uso das redes sociais parece causar uma diminuição da autoestima, sendo o grupo mais afetado as meninas entre 10 e 14 anos de idade.
4. Mudanças comportamentais
O seu filho tem mudanças bruscas de comportamento, como irritabilidade, tristeza ou agressividade quando não usa as redes sociais? A turbulência emocional é, muitas vezes, um dos primeiros sinais de que as redes sociais estão afetando o bem-estar mental de uma criança. Uma criança normalmente calma para lidar com desafios pode subitamente ficar irreconhecível quando tem seu acesso restrito ao celular ou tablet. O bombardeio constante de conteúdo rápido que gera dopamina reprograma as respostas emocionais das crianças, muitas vezes substituindo a paciência pela frustração. Como resultado, os pais podem notar que a criança vai se tornando cada vez mais inquieta e emocionalmente instável.
Você sabia?
Estudos revelaram que as redes sociais podem ser mais viciantes do que o álcool ou o cigarro, especialmente porque a internet é gratuita, de fácil acesso, disponível a qualquer momento em tempo integral e aparentemente inofensiva.
5. Necessidade constante de validação
O quanto seu filho se preocupa com as reações e a atenção que recebe nas redes sociais? Por exemplo, seu filho verifica compulsivamente o celular para ver se ganhou curtidas, compartilhamentos e comentários - muitas vezes em detrimento a interações e responsabilidades do mundo real? Esta necessidade constante de validação pode gerar ansiedade, especialmente quando os posts não recebem o nível esperado de engajamento, e prejudica a autoestima e a saúde mental.
Você sabia?
Pesquisas apontam uma ligação entre o uso excessivo das redes sociais e emoções negativas intensificadas, particularmente relacionadas com imagem corporal, além de um aumento da vulnerabilidade a distúrbios alimentares.
6. Isolar-se de amigos, família e atividades de que gostava
O seu filho está passando muito tempo sozinho e usando o telefone? Anda se distanciando de amigos e familiares? Tem trocado hobbies, atividades físicas, estudos e interações sociais por rolar o feed das redes? As crianças viciadas em mídias sociais podem se retirar das interações presenciais à medida que se tornam cada vez mais desconfortáveis com o contato cara a cara, preferindo se esconder atrás de uma tela, o que prejudica suas habilidades sociais e leva a sentimentos de isolamento.
7. Padrões de sono interrompidos
O seu filho usa redes sociais até tarde da noite ou assim que acorda? O uso excessivo das redes sociais, especialmente antes de dormir, pode perturbar os padrões de sono nas crianças. A falta de sono de qualidade pode afetar o humor, o rendimento escolar e a saúde em geral. Tem sido também associada ao aumento de estresse, irritabilidade e maior risco de desenvolver distúrbios do humor.
Você sabia?
Pesquisas apontam que as crianças que passam mais de 3 horas por dia usando redes sociais têm um maior risco de desenvolver questões de saúde mental, como ansiedade e depressão.
Estratégias para os pais ajudarem as crianças a manter uma relação saudável com as redes sociais
As dicas a seguir podem ajudar a mitigar os efeitos negativos da exposição excessiva às redes sociais e promover mais saúde mental entre as crianças.
Faça combinados
O uso das redes sociais deve ser limitado: não deve ocorrer muito perto da hora de dormir, nem antes que a criança termine o dever de casa e as tarefas domésticas.Deve ser também monitorado com base na idade e na maturidade da criança. Isso ajuda a evitar que as redes sociais prejudiquem atividades como prática de esportes, sono, refeições ou dever de casa. Você também pode proibir as redes sociais durante certos horários, por exemplo, durante as refeições da família e uma hora antes de dormir.
Estabeleça limites de tempo
Defina limites de tempo diário razoáveis em relação a quando e onde o seu filho pode usar as redes sociais. Os recursos de rastreamento de tempo de tela nos aparelhos da criança permitem que você verifique quantas horas por dia ela está passando em aplicativos de mídia social. Além disso, alguns aplicativos enviam avisos quando o tempo-limite acaba.
Fale com o seu filho sobre como navegar nas redes sociais com responsabilidade
Acompanhe seu filho de perto. Fale com ele sobre o porquê de usar as redes sociais de forma responsável é importante. Pontue todos os riscos e benefícios. Se você suspeitar que seu filho está se sentindo mal,tenha uma conversa honesta sobre como as postagens nas redes sociais não necessariamente refletem a realidade.
Agende momentos em família sem o celular
Seja durante as refeições ou assistindo a uma série juntos à noite, peça a todos (sim, isso inclui pais) que desliguem os celulares e tablets. Jantem juntos sempre que possível, e estabeleçam um combinado de que não deve haver nenhum celular ou tablet à mesa.
Tire os dispositivos do quarto
Mantenha os telefones e dispositivos fora do quarto do seu filho à noite. Instaure como regra que os celulares não podem mais ser usados a partir de pelo menos uma hora antes de dormir. Os celulares devem ser carregados fora do quarto para garantir que seu filho não tenha o sono interrompido durante a noite nem fique tentado a postar algo caso acorde. Manter o telefone longe da cama, usar o modo noturno para reduzir a exposição à luz azul e definir um toque de recolher digital pode melhorar significativamente a qualidade do sono e do humor geral do seu filho.
Defina e monitore o controle parental
Programe o controle parental para que você possa monitorar o uso do seu filho e ser alertado em relação a questões como bullying virtual, golpes e abusos online e depressão. Você pode restringir quais aplicativos e websites seu filho pode visualizar, bem como definir o perfil dele nas redes sociais como privado. Monitore regularmente o uso das redes sociais do seu filho. Insista em ser amigo dele nos aplicativos de mídia social que ele usa. Isso não só ajuda você a ter uma ideia melhor de como esses aplicativos funcionam, mas também faz com que o seu filho pense duas vezes antes de fazer uma postagem.
Incentive encontros reais com amigos
Incentive seu filho a interagir mais pessoalmente e ajude a promover esses encontros, por exemplo, recebendo os amigos na sua casa ou levando-o de carro a algum lugar onde ele possa passar um tempo com os amigos.
Incentive a prática de atividades físicas
Garantir que seu filho faça alguma atividade física todos os dias não só o ajuda a dormir à noite, como também melhora a saúde física e mental dele. Priorize atividades como esportes e clubes que alimentem o senso de realizaçãopara estimular a prática de atividade física e a conexão social ao mesmo tempo.
Ative definições de privacidade nos aplicativos dos seus filhos
A maioria dos aplicativos de redes sociais conta com funções de controle parental. Esses recursos ajudam a impedir que usuários desconhecidos visualizem o conteúdo do seu filho e a filtrar conteúdo inadequado. Fique atento aos servidores de localização disponíveis nos aplicativos. Isso ajuda a impedir que o seu filho adolescente compartilhe informações pessoais.
Tenha mais momentos offline em família
Crie oportunidades para estar juntos offline. Algumas ideias de atividades podem ser um jogo de tabuleiro, um quebra-cabeças ou cozinhar juntos.
Dê um bom exemplo de uso saudável das redes sociais
As crianças e os adolescentes têm maior probabilidade de copiar comportamentos que vêem, ao invés de fazer o que lhes dizem. Os pais podem ajudar dando um modelo de comportamento saudável no próprio uso das redes sociais.
Considerem a possibilidade de tirar férias de recursos tecnológicos
Se você receia que as redes sociais estejam prejudicando seu filho, considere tirar férias de qualquer tipo de recurso tecnológico. Fazer pausas periódicas nas redes sociais, seja por um dia, um fim de semana, ou mesmo uma semana, permite que as crianças se reconectem com o seu ambiente. Isto ajuda a reduzir o estresse, a melhorar a concentração e estimula a resiliência emocional nascrianças.
Se você receia que o seu filho esteja viciado em telas, ou se está preocupado com o bem-estar mental dele em relação ao uso das redes sociais, fale com o seu médico.
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