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Covid longa


COVID longa

 

01 de Janeiro de 2021
 

Essa doença ainda não tem uma definição formal, nem exame para diagnosticá-la. Na verdade, nem o nome é oficial ainda. Os sintomas podem variar – e também desaparecer da noite para o dia, o que deixa os cientistas desconcertados. E pode ser tão debilitante que até mesmo subir um lance de escadas é capaz de deixar o paciente de cama de novo, e por dias. Esse é o fenômeno que ficou conhecido como “COVID de longa duração”, ou “síndrome pós-COVID”, ou simplesmente “COVID longa”, e que está sendo pesquisado no mundo todo.

Um número crescente de evidências médicas mostra que cada vez mais pessoas que contraíram a COVID-19 continuam lutando contra uma série de sintomas pós-virais meses depois da infecção. Mesmo aqueles que só lidaram com uma versão relativamente fraca da doença afirmam que os sintomas permanecem. A recuperação é irregular, com sintomas tanto conhecidos quanto novos que variam de intensidade.

Tantos os relatos informais de pacientes quanto os estudos sugerem que uma série de problemas crônicos, como fadiga persistente, falta de ar, perda do foco e dores musculares, continuam afetando as pessoas mesmo depois que a infecção vai embora. Muitas pessoas afirmam que essa doença prolongada já apresenta um impacto em suas vidas, e muitas não conseguem mais trabalhar nem aproveitar as atividades do dia a dia.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) afirma que os sintomas podem se prolongar ou se repetir por semanas e até mesmo meses, e que alguns pacientes desenvolvem complicações médicas com efeito permanente na saúde.

Ainda não se sabe ao certo quantas pessoas estão sendo afetadas pela chamada “COVID longa”. No entanto, de acordo com o Estudo de Sintomas da COVID, liderada pelo King’s College de Londres, em que milhões de pessoas nos Estados Unidos, Reino Unido e Suécia usam um aplicativo para monitorar os próprios sintomas, pelo menos um entre 10 infectados afirmam que esses sintomas duram mais de um mês. Essas pessoas não são consideradas infecciosas durante esse período, apenas sofrem efeitos de longo prazo.

Da mesma maneira que o vírus às vezes causa problemas mais sérios para jovens que pareciam estar com a saúde em dia, esses sintomas insistentes parecem afetar pessoas de todas as idades, incluindo aquelas que não apresentam problemas de saúde subjacentes.

Os riscos desses sintomas persistentes não se limitam somente a quem passou por maus bocados no auge da infecção. Pacientes assintomáticos ou com um caso leve de COVID-19 também podem enfrentar uma doença prolongada ou sintomas de longo prazo – que, às vezes, podem demorar semanas ou até meses para desaparecer. De acordo com a OMS, 20% das pessoas entre 18 e 34 anos relataram sintomas prolongados.

Parece que qualquer um pode desenvolver COVID longa, incluindo jovens e pessoas sem problemas de saúde subjacentes. 

De acordo com o British Medical Journal, uma publicação médica periódica do Reino Unido, os números do aplicativo do Estudo de Sintomas da COVID no país mostram uma grande variedade de sintomas apresentados pelos pacientes, independentemente de estarem internados ou não. Eles podem afetar o sistema respiratório, o sistema cardiovascular e coração, o cérebro, os rins, o intestino, o fígado e até mesmo a pele. O relatório diz que os sintomas também variam em intensidade e duração, e não se apresentam necessariamente de maneira linear ou sequencial.

Embora não exista uma lista definitiva de sintomas compartilhados por todos os pacientes, as complicações mais relatadas e também citadas em vários estudos incluem:

  •          Fadiga / exaustão excessiva
  •          Falta de ar
  •          Dor de cabeça
  •          Insônia
  •          Fadiga/ dor muscular
  •          Dor no peito
  •          Tosse persistente
  •          Perda de paladar e olfato
  •          Febres intermitentes
  •          Erupções na pele
  •          Mal-estar após esforço — quando a pessoa exagera, os sintomas voltam

Esses sintomas podem durar semanas ou meses depois que o organismo se livrou do vírus. Há também complicações adicionais e menos comuns informadas pelos pacientes de COVID longa, e que ainda precisam ser confirmados por estudos, incluindo:

  •          Problemas de audição
  •          Dificuldades cognitivas, como “perda de foco”
  •          Questões relacionadas à saúde mental 
  •          Queda de cabelo 

Para um vírus que geralmente é associado com dificuldades para respirar e o sistema respiratório, a COVID1-9 também pode causar danos sérios em outros órgãos. A doença está relacionada a um risco crescente de coágulos no sangue, a dano nos pulmões e no coração, a efeitos na saúde mental e outras complicações que podem deixar as pessoas mais suscetíveis a doenças crônicas.

 

De acordo com o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), na sigla em inglês), nos Estados Unidos, as lesões cardíacas são o efeito possível de longo prazo mais perigoso do coronavírus. Exames de imagem feitos meses depois que os pacientes se recuperaram da doença mostram lesões permanentes no músculo cardíaco, mesmo em caso de sintomas leves. Isso pode aumentar o risco de insuficiência cardíaca e outras complicações no coração no futuro.

O tipo de pneumonia geralmente associado à COVID-19 também pode causa lesões de longo prazo aos alvéolos, os pequenos sacos de ar nos pulmões. As cicatrizes resultantes podem levar a problemas respiratórios crônicos. 

Nunca se viu a pesquisa avançar tão rapidamente quanto no caso da COVID-19, mas ainda há muito que não sabemos. Como se trata de uma doença nova, os cientistas ainda não podem determinar quais serão os efeitos meses depois da infecção.

No começo da pandemia, muitas pessoas achavam que a COVID-19 era uma doença de curto prazo. Em fevereiro de 2020, a OMS, usando os dados preliminares na época, relatou que o prazo para recuperação era de duas semanas após a infecção, para casos mais leves, e de três a seis semanas para casos graves ou críticos.

No entanto, mais recentemente, tem se tornado claro que os sintomas debilitantes persistem para alguns pacientes por semanas e até mesmo meses. Para algumas pessoas, os sintomas nunca desaparecem.

No entanto, o fenômeno da COVID longa não é único: uma síndrome pós-viral também pode acontecer depois que um indivíduo luta contra uma infecção causada por vírus como o resfriado comum, a gripe, a pneumonia, a Síndrome respiratória aguda grave (SRAG), o HIV e a mononucleose infecciosa.  

Como a ciência está em constante evolução, ainda não há um consenso sobre a definição clínica da COVID longa, já que ainda não se sabe por que o vírus tem um impacto mais severo em algumas pessoas que em outras, nem como isso pode afetá-las no futuro.

A pesquisa sobre o impacto da COVID-19 continua. Iniciativas como Estudo de Sintomas da COVID estão rastreando essas complicações e as consequências de longo prazo usando um aplicativo para dispositivos móveis.

Embora algumas complicações sejam tratáveis, é preciso pesquisar e desenvolver tratamentos eficazes para os efeitos e sintomas de longo prazo da doença.

De acordo com o diretor da OMS Tedros Adhanom, o que se sabe no momento é que “não se trata apenas de um vírus que mata. Para um número significativo de pessoas, o vírus implica uma série de efeitos sérios de longo prazo”.

Ao coletar mais dados, os cientistas se tornam mais preparados para encontrar tratamentos e estratégias mais eficazes.

Se você já teve COVID-19 e está se recuperando, é importante manter contato com seu médico regularmente para monitorar o aparecimento de qualquer sinal ou sintoma preocupante.

Algumas organizações de saúde desenvolveram ferramentas on-line para oferecer informações e orientação para quem está se recuperando da doença, como o portal Your COVID Recovery (“Sua recuperação do COVID”), disponível em inglês, do Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido.

Grupos de apoio on-line podem ajudar você a se sentir menos sozinho nesse desafio, e oferecem uma plataforma para compartilhar sua experiência. Alguns grupos de apoio também participam de pesquisas sobre a COVID longa. Veja algumas opções (todas em inglês):

Se você está com sintomas novos ou persistentes depois de ter se recuperado da COVID-19, entre em contato com seu médico. Ele irá avaliá-los e, se necessário, pedir exames diagnósticos para confirmar se não há complicações. Seu médico também pode ajudar você a monitorar e lidar com os sintomas em longo prazo.